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As Redes Sociais e a partilha da felicidade.


Depois de partilhar nas minhas redes sociais acontecimentos felizes durante esta última semana, reflecti como nas redes sociais é fácil transparecer que tudo corre bem, e ao partilharmos pequenas/grandes vitórias, parece que estamos sempre “nos eixos”, encontrados e satisfeitos. Não é verdade.


Noto inclusivamente que para quem as observa em directo, e só tem acesso às mesmas e não a todo o caminho, com todas as virgulas, reticências e pontos finais do mesmo, das duas uma: ou é sorte; ou é muita, muita sorte.


A sorte. Sempre que o outro tem sucesso (generalizando erradamente de certo) é sorte. Como se tivesse uma "estrelinha" ou que tenha nascido "com o rabo virado para a lua". Se não tem, é preguiçoso, ou não luta convenientemente pelos seus objetivos. No final do dia, a desvalorização é palavra de ordem. Desvalorizamos os outros, mas também a nós mesmos, quando todos os dias, olhamos para as nossas fragilidades e não nos sabemos (ou queremos) valorizar pois seria presunçoso, egocêntrico e/ou narcísico (adoro -ou não-, como banalizam essa palavra). Mas eu pergunto-me, será que a partilha da felicidade e conquistas nas redes sociais, não compactua e incentiva com esta visão injusta sobre o outro?


Claro que, quando nos deparamos com problemas e obstáculos (que são inevitáveis) não os publicamos nas redes sociais por norma (e será que devíamos?). Quando falhamos, não publicamos nas redes sociais a dizer o quanto nos sentimos tristes e frustrados, tal como, não penduramos na parede a nossa colecção de desamores e dificuldades mas sim, as medalhas das nossas conquistas. E não o fazemos porque nos doem e assumir publicamente é torná-los mais nossos, mais reais. É gritar ao mundo e eternizar o que não correu bem. Mas sozinhos e com os nossos, olhamos para tudo o que falhou, sofremos, pensamos sobre, desabamos e voltamos a reerguer (que é o mais importante). Por novos caminhos se necessário.


Então o que falha? A natureza das partilhas nas redes sociais, ou a falta de filtro de quem as vê? Para pensar...


Estava também a reflectir, como é fácil a comparação com as vidas alheias como se as vidas dos outros corressem sempre bem e as nossas não. Como se fosse tudo fácil para todos, menos para nós. As conquistas sempre conseguidas e uma vida plena e feliz. O que também não é verdade.



Não há vidas perfeitas e isso é certo.


Toda a gente tem fragilidades, problemas e angústias. Toda a gente tem períodos em que parece que tudo desaba, por mais que lutemos para nos mantermos à superfície.

Mas são esses mesmos momentos , que tornam as conquistas tão especiais (e talvez seja por isso que dê tanta vontade de as gritar ao mundo). São os altos e baixos que nos dão vida.


Se fosse tudo fácil, a satisfação e realização pessoal existiriam? Atrevo-me a dizer que não.


Se fosse tudo fácil, aprenderíamos com os erros? Também acredito que não.


Falhar faz parte do processo, é essencial e acontece a todos (mesmo todos), mas celebrar as pequenas/grandes conquistas também. Para nos motivar a continuar a remar...



*Todos as obras têm direitos de autor: Filipa Malo Franco

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