Entre silêncios.
- Filipa

- há 6 dias
- 2 min de leitura

Por Diana Cerqueira
Há momentos em que paro e penso no que é que acontece quando nos ligamos a alguém.
O que é que o outro acorda em mim?
Porque é que certas emoções surgem sem eu as chamar?
Não é só sobre o que vivemos agora, é sobre tudo o que já fomos.
Cada relação toca partes antigas, lugares sensíveis que nem sempre sabemos nomear.
E é aí que começa este caminho de nos vermos através do outro.
Porque é que me sinto assim?
Porque é que isto se repete?
O que é que o outro desperta em mim?
São perguntas que nos obrigam a olhar para dentro e perceber como o passado e o presente se entrelaçam em cada relação.
Penso nas feridas que podem ressurgir. Feridas que nem sempre se revelam de imediato, mas que aparecem nos gestos, nos silêncios, nos pequenos sinais que nos fazem sentir vulneráveis.
O medo de perder o outro.
O medo de não ser suficiente.
O medo de ser abandonado.
Ou, pelo contrário, o medo de ficar preso, dependente, sem espaço para existir.
Há um conflito que se instala. Queremos estar com o outro, mas temos medo de que ele se vá embora. Precisamos de espaço, mas a pessoa precisa de estar perto. E é neste constante balanço entre estar e recuar que nos descobrimos, percebendo limites, desejos e fragilidades que nem sempre conhecíamos. Isto desperta dentro de nós memórias que, muitas vezes, nem percebemos que existiam, modos de sentir e de reagir que regressam sem aviso, lembrando-nos que somos feitos de camadas e que cada relação toca algo profundo e antigo.
E talvez não seja sobre fazer diferente, mas sim sobre reconhecer que isto vem de algum lugar. Que nos podemos moldar ao outro sem abdicar do que é nosso. Dar um significado diferente. Sentir sem nos perdermos. Perceber que o que surge é parte de nós e, ao mesmo tempo, parte do que só o encontro com o outro consegue despertar. E é nesse espaço de atenção e cuidado que aprendemos a nos entender melhor, a acolher o que sentimos e a reconhecer que cada relação nos transforma, mesmo quando não percebemos de imediato.





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