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Escuta. Porque escutar é diferente.





Pst...

Não vejas. Escuta.

Não ouças. Escuta.

Sente. Por inteiro.

Concedes-me esta dança?



A relação é uma dança. Clássica, contemporânea, latina, livre. Umas vezes sentimo-nos como duas peças de um puzzle, que se encaixam e dançam na fluidez da seda que as envolve. Outras vezes, em ritmos diferentes, que se esforçam por coexistir em passos desencontrados e meio toscos. E ainda, quando dançamos sozinhos, perseguidos pela nossa sombra, desencontrada de nós mesmos.


A relação é uma dança. Por momentos aos sussurros. Outros com o som tão alto que acorda os vizinhos e ainda acontece, dançarmos no silêncio, ao som de uma música, sem som. Não que não o tenha, mas porque estamos surdos para a ouvir.


A relação é uma dança, que vive num palco descoberto, repleto de sentir e com a alma a nu (como deveria ser sempre). E como num movimento fluído de ballet, no "Lago dos Cisnes", encaramos o outro, dramatizamos a vida, vivemos a paixão, o desespero, o sofrimento e a esperança. E nos transformamos, em cisnes ou noutra coisa qualquer. Juntos. Porque é na relação que crescemos.


A relação é uma dança que ora se sincroniza e apaixona, ora nos magoa e entristece, mas onde continuamos a dançar. No silêncio dos nossos pensamentos. Na dessincronia que nos invade. Muitas vezes sem compreender porquê. E no final do dia, tentamos acompanhar o passo do outro, forçosamente, porque achamos que temos todos de "ouvir a mesma canção" - relembrando Rui Veloso-, e consequentemente, dança-la... de forma fluída. Sem nos escutarmos verdadeiramente e principalmente respeitarmos a diferença - porque na verdade (e aqui entre nós em segredo), a dança é tão mais rica e apaixonante quando mora nela. Na diferença.


Escuta. Não ouças. Porque escutar é diferente.

Escuta. Não Vejas. Porque escutar é diferente.


A escuta faz-se com o corpo. Todo ele. Ouvimos o outro, não apenas com os ouvidos, mas connosco por inteiro. Descodificamos o seu olhar, observando o seu brilho ou falta dele e as emoções que nos transmite, porque as conseguimos sentir, se escutarmos com atenção. Olhamos atentamente o corpo do outro, por inteiro, como está tenso, descontraído ou fluído - que muda tudo. Escutamos também o nosso, como nos sentamos ou quando não sabemos onde colocar as mãos muitas vezes, porque na verdade, as queríamos pousar num abraço. Sem coragem para o fazer. E esse desejo pode ser só nosso, ou do outro. Ou dos dois. Que como apenas se olham, não se escutam e não dançam (pelo menos como deveriam). E as palavras? Sobrevalorizamos as mesmas. Porque na verdade falamos com o coração, que não pode ser ouvido porque não tem boca. Não pode ser visto, porque está dentro de nós. Mas pode ser sentido e escutado.


A relação é uma dança.

Escuta. Porque escutar é diferente.




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