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Não, as Crianças não namoram!

  • 17 de fev.
  • 2 min de leitura



Por Daniela Morbey





Com a passagem do Dia de São Valentim, o Dia dos Namorados, para além da importância cada vez maior de falarmos sobre o amor e o que é um relacionamento saudável, é igualmente importante questionarmos como, muitas vezes, nós, adultos, incentivamos brincadeiras que romantizam os comportamentos infantis. 

Não são raras as vezes em que ouvirmos frases como “o menino X tem uma namorada”, ou até, perguntarmos a uma criança se aquele amigo de que tanto gosta na escola é o seu namorado. Embora estas expressões possam ser inofensivas, refletem um padrão enraizado na nossa sociedade que impõe às crianças conceitos que pertencem ao mundo do adulto, o que pode gerar impactos negativos no seu desenvolvimento emocional e social. 

Na infância, a forma como a criança experiência e expressa o amor nada tem a ver com o conceito de amor romântico que conhecemos na vida adulta. Logo, o que as crianças sentem por um amigo mais próximo é, apenas, afeto genuíno, caracterizado por cumplicidade, carinho e conexão, o qual não deve ser romantizado.  

Ao introduzirmos conceitos adultos nas relações infantis, podemos estar a criar confusão emocional, pressão social e, até mesmo, fomentar uma erotização precoce para a qual a criança não tem maturidade emocional para compreender e lidar.  

O respeito à infância deve incluir a liberdade para que as crianças possam explorar as suas amizades e interações sociais, sem a necessidade de encaixá-las em conceitos que pertencem à vida adulta. A infância é um período de descoberta, crescimento e aprendizagem sobre si mesmo e sobre o mundo, devendo ser vivida sem pressas, com toda a autenticidade natural desta fase da vida, e com leveza. 

Assim, como forma de proteger a infância e garantir um desenvolvimento emocional saudável, cabe ao adulto, adotar algumas práticas fundamentais: 

- evitar expressões que sugiram namoro entre crianças;  

- criar um ambiente seguro para a expressão de sentimentos;  

- ensinar sobre as emoções de forma adequada;  

- evitar conteúdos que promovam a erotização precoce. 

Ao adotarmos estas medidas, estamos a contribuir para um crescimento mais equilibrado e respeitoso, permitindo que a infância possa ser vivida plenamente, sem pressa, com toda a autenticidade e espontaneidade que a caracterizam.  

Não, as crianças não namoram! As crianças vivem, brincam e aprendem. 




 
 
 

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