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O amor é para sempre. Até não o ser.


O amor tem muitas cores. Pode ser colorido como um arco-íris. Vermelho, cor universal da paixão. Amarelo, azul, verde, roxo e laranja, porque amamos muitas pessoas e de maneiras tão diferentes. Pode ser branco, que simboliza a paz, sendo que sem ele não há humanidade. Mas também preto, com muitos cinzentos pelo meio, porque mesmo com a dor e desamparo, na verdade, o amor é tudo o que temos de mais bonito e precioso na vida.


E especialmente quando estamos apaixonados - que é apenas uma forma de amor -, este é sempre para sempre; porque amar pela metade, é amar sem entrega. E num oceano de amor e paixão infinita, trocam-se frases que prometem este mundo e o outro. Olhares que nos tiram o fôlego e nos quais queremos adormecer, acordar e adormecer de novo; porque não há lugar mais seguro que aquele que nos olha por inteiro e nos despe a alma. E o abraço; que aquece o nosso coração e nos protege de todos os monstros que vivem nele, com espada e escudo na mão. Que nos transmite segurança e coragem. E nos permite amar de novo, mesmo quando prometemos não o fazer (ou não acreditávamos ser possível). Porque no nosso coração moram todas as feridas e memórias que um dia o partiram. Uma e outra vez. E o «amo-te», se torna (novamente) na palavra mais bonita do dicionário, como se a ouvissemos pela primeira vez.


Mas temo que tenhamos a ideia - cultivada pelas histórias de encantar-, de que o amor é fácil, quando é tudo menos isso. E como se de uma tela falássemos, deve ser trabalhado (todos os dias!), aperfeiçoado, cultivado. E é tão mais real vivendo na autenticidade e transparência entre duas pessoas, que se compreendem, escutam e escolhem colorir a vida juntas. Com todos os seus altos e baixos, rascunhos amarrotados e tinta fora do sítio. Porque a arte não se quer perfeita. E o amor, muito menos.


O amor é sempre para sempre. Até não o ser. E quando nos deixam de amar, o calor que abraça o nosso coração, gela. E a ideia de finais felizes, influenciada pelos romances pousados na nossa mesa de cabeceira, se desvanece. E entramos num quarto escuro e apertado, que nos sufoca. Preferimos dormir e viver nos nossos sonhos, porque ao menos nesse lugar, tudo continua igual, enquanto as promessas ecoam na nossa mente. E ao acordar, questionamo-nos como tudo ficou diferente. Com o outro, connosco ou com ambos. Porque vendo bem, o amor foi morrendo, todos os dias, um bocadinho mais, até deixar de o ser.


E quando tudo desaba, quase num segundo (ou pelo menos assim o pareceu!), nos mostra o quão frágil e impermanente a vida é. E embrulhamo-nos na solidão. Envolvemo-nos no desamparo, e como se de observadores externos falássemos, não nos reconhecemos, nem tão pouco como subitamente a realidade se torna num pesadelo. E a vida pinta-se de cinzento, quando tudo o que queríamos era um abraço; e ficamos à espera que o outro nos sinta, sem precisarmos de o colocar em palavras (como antigamente). Um abraço para nos perdermos e que em silêncio nos diz num sussurro que vai ficar tudo bem. Ou quase tudo bem. Mesmo que na altura, a esperança que é sempre a última a morrer, não more connosco.


Sim, o amor é sempre para sempre. Até não o ser. Mas perderíamos a cor se deixássemos de amar, todas as vezes e mais uma. Porque viver sem amor, é não viver de forma alguma.


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