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O sofrimento assusta.


Para quem o sente, que imagina que uma vez emaranhado nele, se prende para sempre. E para os outros, que não sabem o que dizer e fazer, quando diante deles veem alguém que sofre.


E numa tentativa de ajudar, mas fazendo totalmente o contrário, racionaliza-se. Os outros e os próprios. E se propõem em pensar o comportamento ao invés de olhar as emoções. Porque o “palpável” é sempre mais fácil de ver.


O sofrimento assusta. E perante o desamparo que existe nele, somos frequentemente invadidos pela onda do “vamos pensar positivo” e da ideia persecutória de que se atrai o que se pensa. E numa primeira instância este caminho acalma e conforta, porque nos dá a falsa sensação de controlo. Mas perpetua o “está tudo na tua cabeça”, como se o sofrimento fosse uma escolha.


Não posso concordar. E mais forte que isso, teimo em discordar veemente. E assusta-me, porque na realidade, quanto mais se quer controlar o que se pensa e sente, mais nos perdemos e consequentemente, menos se controla. E quanto menos queremos sentir e olhar para o que realmente somos (e o tudo inclui o que muitas vezes não queremos), menos nos escutamos. E é assim que o vazio que existe dentro de nós cresce ao longo da vida. Devagar e em silêncio. O cancro da mente que não se vê.

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