Os bebés não são todos iguais
- Filipa
- 10 de jul.
- 3 min de leitura

Por Filipa Maló Franco
Penso que uma das mensagens mais urgentes a transmitir às famílias, em qualquer ponto de vista é que os bebés não são todos iguais. Esperar que todos sigam o mesmo padrão de sono é ignorar as diferenças individuais e a complexa interação entre maturidade neurológica, temperamento e ambiente, bem como, todos os intervenientes de uma relação que está em constante movimento. E é por isso, que quaisquer comparações, ou tentativas de, caem por terra mesmo antes de poderem ser pensadas. E qualquer profissional erra quando generaliza a sua prática, muito menos oferecer guias, que se adaptem a todos.
Porém, quando falamos de subjetividade e tentativa de generalizações algo que me preocupa, é que nesta área e em outras semelhantes, os pais estão desinformados sobre todos os cenários e possíveis consequências. E questiono-me se com a informação, eventualmente escolhessem diferente, respeitando, quem por diversos motivos, se difere nas prioridades e escolhas. E porque é que isto é importante? Porque a real liberdade só tem lugar, quando é dito aos pais que têm liberdade de escolha e não, uma liberdade condicionada.
Volto a reforçar, que em quase tudo importa pensarmos a lente com que olhamos o mundo, o outro e neste caso, a parentalidade. Falamos muito em “respeitar as famílias”. Mas será assim tão fácil, na prática, responder às necessidades de todos ao mesmo tempo?
Claro que eu compreendo, que para muitos pais completamente exaustos, o não acordarem com o bebé é uma luz ao fundo do túnel para muitos meses de cansaço acumulado. Compreendo que as promessas de autonomia são no mínimo aliciantes para muitos que sentem a dependência associada a um bebé, um colete de forças, que os impedem de se sentirem eles próprios. Compreendo também, que o desespero frequentemente fala mais alto. E como digo sempre, para cada escolha temos razões e temos consequências, mas é certo que na maioria das vezes, no discurso de apoio aos pais, esquecemo-nos do bebé. E outras vezes, em nome do bebé, ignoramos os limites da família. E bem sei que é assim. E assumo que enquanto profissional, investigadora, enquanto mãe, enquanto pessoa e em tudo o que comunico, tenho as minhas razões, faço as minhas escolhas e assumo as minhas consequências. Repito: importará sempre a lente com que vemos as coisas.
Não conseguimos (nem vamos!) agradar a todos. A verdade? É difícil respeitar as emoções de todos ao mesmo tempo. É exigente. Dá trabalho e nem sempre é possível. Mas é aí que está o verdadeiro cuidado: no esforço de equilibrar, definir prioridades e avaliar quem tem mais ou menos recursos naquele momento. Que nem sempre é o bebé, embora, o seja na maioria das vezes.
Mas então, porque é que o sono dos bebés dá tantos problemas, polariza informação, profissionais e evidência científica? Porque o paradigma importa e porque os bebés não dormem naturalmente como o adulto precisa. Também, porque as regras que muito se prioriza na cultura ocidental, não casam com a biologia e necessidades afetivas. Os profissionais não olham e avaliam a partir do mesmo lugar. As razões que os movem, não são as mesmas. Os resultados que lhes interessam também diferem. E é por isso que se choca. E é por isso que não existe um consenso e não vai nunca existir. Assumir que assim é: liberta, sem se compactuar, com quem defende diferente. E dá espaço ao debate, que é nele que se cresce.

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