

Mais um dia.
Por Filipa Malo Franco Mais um dia em que grito, em silêncio. As lágrimas já não limpam. Não libertam. Não resolvem. Escorrem, porque sim. Pelos “mais” que gerem a minha vida: Mais um dia. Mais um mês. Mais um ciclo. E mais. E mais. E eu a apagar-me; sem conseguir fazer diferente. Sinto-me sozinha. Não me compreendem; mas como podem? É da ansiedade; dizem. E como não a ter? Tento não pensar. Talvez se não pensar…e assim penso. E mais; sinto. Mas não aquilo que queria sentir.


Existo, mas não pertenço
Por Raquel Pereira Perguntei numa mesa onde estava a jantar com amigas, e onde estavam duas mulheres trans, se gostavam do Natal. As duas primeiras pessoas a responder foram elas, as duas amigas mulheres trans à mesa, que disseram qualquer coisa como “é horrível, detesto, e só espero que esses dias passem rápido”. Primeiro ficou um silêncio à mesa. Depois, conversámos sobre aquilo e trocámos algumas ideias, mas não consegui deixar de pensar em como não faço a mínima ideia


O mito do Natal Perfeito
Por Sofia Lebres Tomados pelo desejo sedutor de controlar as nossas vidas e o que sobre elas sentimos, organizamos a nossa história em grandes capítulos (semelhantes a manchetes de jornal), que descuram toda a riqueza, detalhe e invariável ambivalência do que vivemos. O tempo, minuciosamente organizado em slots, que nos indicam o que fazer e como nos apresentar, a cada momento, é só mais um sintoma deste controlo. Na agenda corrida das nossas vidas, ao mês de dezembro ficou r

